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Seja Empreendedor

Há alguns anos a Fratech iniciou suas atividades na área de TI. Tivemos sucessos e fracassos ao longo de 4 anos e meio de atividades. Fizemos barulho ao realizar o Java Brasil, ao participar do início e manutenção da comunidade Visão Ágil, ao trazer o InfoQ para o Brasil e ao lançar uma das primeiras formações completas para Agile do mercado. Temos cases interessantes de implantação de Agile e mentoring técnico e agora temos focado em software craftmanship para clientes (Isso quer dizer que se você quer desenvolver um software, pode nos procurar que podemos lhe ajudar a desenvolvê-lo).Semente O importante de se notar neste caso é que resultando em falha ou sucesso, tudo que fizemos foi com muita intensidade e paixão. Isso é o mais importante, pois o mercado acaba por perceber seu empenho e recompensá-lo. Tudo o que fizemos na Fratech ao longo destes anos foi feito com espírito empreendedor. É sobre este espírito que quero falar agora.

Estimular o Progresso Econômico

Empreendedorismo possui uma ampla gama de significados, o que pode dificultar o entendimento sobre o que é empreender. Vou trabalhar com algumas citações para tentar expressar o que é ser empreendedor. Ao começar pela origem da palavra, vou utilizar a citação do wikipedia:

A palavra empreendedor (entrepreneur) surgiu na França por volta dos séculos XVII e XVIII, com o objetivo de designar aquelas pessoas ousadas que estimulavam o progresso econômico, mediante novas e melhores formas de agir.

Gosto de destacar que esta palavra tem por objetivo definir pessoas que estimulam o progresso econômico, sejam em um bairro, cidade, estado, país ou no mundo todo. Recentemente temos visto exemplos de todos os tipos. Pessoas que tem influenciado uma multidão de pessoas, fundamentado em seu sucesso na inovação e na forma de conduzir seus negócios. Este é o caso da empresa 37signals, que basicamente criou um novo modelo de negócios, focado em praticar o empreendedorismo. Sei de várias empresas que acharam nichos de atuação baseados nisso. A 37signals estimulou o progresso econômico no mundo todo. Os governos normalmente estimulam a prática do empreendedorismo. Nós também deveríamos estimular, se quisermos participar de um país com mais igualdade social e renda per capita equilibrada. O fato é que quanto mais empresas de sucesso, mais empregos, mais dinheiro na mão dos consumidores e menos risco, aumentando os investimentos externos. Simples assim. Por isso, devemos estimular, apoiar e dar preferencia àqueles que empreendem. Marcelo Bevenuto descreve:

O empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados.

Devemos respeitar a coragem dos empreendedores, pois são pessoas que deixaram a comodidade para buscar um ideal diferente, enfrentando riscos.

Fazer acontecer

Outra citação interessante define o empreendedor como alguém prático e pro-ativo. Robert Menezes diz:

Empreendedorismo é a arte de fazer acontecer com motivação e criatividade.

O empreendedor precisa ser criativo, pró-ativo e prático. Tem que ser um bom gerente e um ótimo líder. Tem que saber definir metas e objetivos e se manter fiel a eles. Tem que viver baseado em princípios corretos, para que seja capaz de aumentar seu círculo de influência e assim ser capaz de fazer cada vez mais. Jeff Trimmons diz:

O empreendedor é alguém capaz de identificar, agarrar e aproveitar oportunidade, buscando e gerenciando recursos para transformar a oportunidade em negócio de sucesso.

Para ter sucesso em um empreendimento, é preciso cultivar habilidades dignas de um empreendedor. É preciso ser persistente e visionário, é preciso acreditar, além de ter um bom conhecimento da área em que pretender atuar.

Empreendedor 2.0

Para que um empreendimento dê certo, antes de mais nada, é preciso de pessoas comprometidas. Essas pessoas podem não ser tão visionárias quanto o empreendedor inicial, mas devem ser empreendedoras também. Devem querer participar ativamente do processo. Devem ter uma postura 2.0. Para que tudo isso aconteça, o empreendedor deve estimular a participação ativa das pessoas. Deve criar uma relação de confiança, que permita a segurança e conforto dos envolvidos. Deve definir, coletivamente, uma missão para o empreendimento. Deve esclarecer quais são as expectativas para os resultados de todos os papéis. Deve compartilhar sua visão para com os demais e dessa forma, receber em troca o comprometimento e afinco. Obviamente, deve ter a sorte de encontrar pessoas que correspondam a este esforço. Chamo isso de empreendedorismo 2.0, porque para atender a essas premissas, é preciso se desvincular de alguns métodos tradicionais. Os métodos tradicionais normalmente focam o controle absoluto por parte de uma pessoa, com o pretexto de permitir uma melhor análise dos riscos e controle sobre a situação. O problema é que isso inibe a criatividade e participação das outras pessoas, o que ao meu ver é fundamental para o sucesso de um empreendimento. Práticas mais flexíveis e que permitam respostas rápidas à mudança não exigem que você saiba o que irá acontecer no futuro com muita antecedência, pois você é capaz de se adaptar rapidamente. Isso permite que o controle e coleta de métricas seja colocado em segundo plano, facilitando a ênfase na captação de ideias e soluções para os problemas do dia-a-dia. Soa bem ágil aos ouvidos, não é?

Seja empreendedor

Esta mensagem se destina àqueles que por alguma razão não estão satisfeitos com o seu trabalho atual e que adorariam mudar de perspectiva. Vocês deveriam começar a empreender a partir de hoje. Não precisam nem largar os empregos imediatamente, mas deveria iniciar a partir de hoje. Escolher uma das muitas ideias em sua cabeça e começar a amadurecê-la. Definir um plano estratégico de ação, imaginando como seriam os primeiros meses de seu novo empreendimento. Pergunte-se: Qual tipo de pessoa eu quero trabalhando comigo? Qual o salário eu quero lhes pagar? O que eu quero fazer? Como eu quero fazer? Para qual tipo de cliente? Qual o tipo de ambiente de trabalho eu quero? Qual será a minha perspectiva daqui à 6 meses? O objetivo destas perguntas não é obter respostas verdadeiras ou garantir que as coisas irão acontecer da forma que você respondeu. O objetivo é conduzir você a imaginar o futuro de seu empreendimento, permitindo contemplar e avaliar seus objetivos e metas, para assim, definir quais são os fundamentos de seu empreendimento. uma vez definidos os fundamentos, trabalhe nos princípios e filosofia. Tenha personalidade. Seja persistente e visionário. Estimule o progresso econômico. Seja empreendedor.

Liderança e Agile

Como estamos próximo ao início da primeira turma da Academia do Agile, a pesquisa referente aos temas que serão tratados se intensifica. O primeiro módulo tratará sobre implantação e liderança de equipes ágeis. Neste post tentarei expressar a diferença entre liderança, gerenciamento e produção. Frequentemente confundimos esses papéis. Algumas vezes achamos que aqueles que vão à frente são os líderes. Outras vezes achamos que aquele que organiza e dá ordens é o líder. Em minha experiência, nenhum dos dois casos reflete liderança. Homem olhando engrenagens Imagine o caso em que precisamos apoiar uma escada em uma parede e subi-la. Alguém pode pegar a escada, apoia-la em uma parede e começar a subir. Outro pode simplesmente segurar a escada, para que ela não balance ou caia. Uma terceira pessoa pode dizer: “Ei, a parede certa é esta aqui.”. Qual destes é o líder? O primeiro indivíduo tem um papel importante na execução e tem méritos por isso. Teve a iniciativa de pegar a escada, sem que ninguém o mandasse fazer isso. Ele sabia que precisava subir e imaginou: “Preciso de uma escada.”. Esse tipo de pensamento é fundamental para que tenhamos eficiência na execução de qualquer projeto. Porém isso não é liderança, é produção. O primeiro indivíduo é um produtor. O segundo indivíduo, identificou que o primeiro precisava de suporte e facilitação. Decidiu, por iniciativa própria apoiá-lo. Segurou a escada sem que ninguém o mandasse. Mais uma demonstração de iniciativa. A diferença aqui é que este é o organizador, ou gerente se preferir. O papel dele é facilitar o trabalho dos produtores. Cuidar para que consigam realizar as tarefas sem que os obstáculos os atrapalhem. O terceiro indivíduo tem a visão da situação, conhece o objetivo real e é capaz de determinar a direção em que devemos caminhar. Mais do que isso, apesar de não fazer parte da ação, é capaz de influenciar as pessoas a olharem para a direção certa. Este é o papel do líder. Imagino que muitos que leem este artigo ainda relutam, achando que o líder deve ser também o facilitador, porém, quando o líder está muito envolvido na execução, é fácil cair em uma armadilha que Stephen Covey, em seu livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, chama de “A Armadilha do gerenciamento”. Stephen explica que quando confundimos liderança com gerenciamento, nos afundamos em um mar de situações a serem resolvidas. Essas situações acabam sugando toda a nossa energia e logo, não temos tempo para liderar de fato a equipe e trabalhar os aspectos menos visíveis, como cultura, princípios e visão das pessoas envolvidas. Segundo Peter Drucker, “Gerenciar é cuidar para que façam as coisas do jeito certo. Liderar é cuidar para que façam as coisas certas.”. Citando Stephen Covey em uma analogia sobre isso,

“Gerenciamento determina o grau de eficácia necessário para subir mais rápido a escada do sucesso. A liderança determina se a escada está apoiada na parede certa.”.

Vale notar que ambos são importantes, e complementares e talvez, em alguma situação, possa ser executado pela mesma pessoa. No entanto, é importante frisar que um gerenciamento excelente não compensará um má liderança.

Liderança no Agile - Scrum Master não é um líder

Com essa divisão clara das responsabilidades, podemos nos perguntar como a liderança seria refletida em relação ao agile. Com todo o conceito de auto-gerenciamento e equipes auto organizadas, vemos que o papel de gerente como uma pessoa externa se dissipou. Cada um dos membros da equipe agora são responsáveis por gerenciar e produzir. Isso consiste no direto de ter as condições necessárias para executar o trabalho, porém também consiste na responsabilidade de cuidar para que o outro também tenha. Apesar disso, a grande maioria das metodologias definem a necessidade de alguém para focar na organização. Alguém que seja responsável por resolver impasses e facilitar a remoção dos obstáculos. Este é por vezes chamado de Scrum Master ou de coach (no sentido de técnico). Este papel é um papel de gerenciamento, conforme definido acima, e não um papel de liderança. Isso fica bem claro quando reafirmamos o que é liderar. Liderar é definir claramente objetivos e metas estratégicas. Para definir esse tipo de objetivo e meta, é preciso contextualização, planejamento estratégico, visão ampla do todo. Líder Um Scrum Master se limita aos impedimentos da equipe, logo, não pode ser um líder, mas sim um gerente. Alguém que cuida para que tudo siga o protocolo. Alguém que reforça a necessidade de cumprir as metas. Mas então quem é o líder neste caso?

O líder

Ao meu ver, o líder é o cliente, ou product owner. É ele quem define quais são as prioridades e quais são as metas e objetivos de um projeto. O cliente define o que é necessário alcançar e a equipe é livre para definir como trabalhar para alcançar estes objetivos. Não podemos de forma alguma cometer o erro de afirmar que exista uma liderança técnica em uma equipe, pois a parte técnica expressa o como fazer, e não o que fazer. Podemos ter gerentes técnicos, que facilitam, suportam e orientam como fazer algo de forma correta. Mas é preciso que entendamos que o objetivo real é definido pelo cliente/P.O.. Qualquer prática empregada no processo que expresse a execução é meramente definida por questões de gerenciamento. O líder neste caso, precisa confiar que o gerenciamento fará o melhor para alcançar as metas e assim, eliminar esta preocupação de sua mente, ficando livre para focar na estratégia. O líder deve ainda ser capaz de repensar a direção definida quando houver alguma mudança. E a equipe deve ser capaz de responder à esta mudança de forma ágil. Isto é agilidade. Gostou? Aprenda mais sobre implantação e liderança de equipes ágeis na Academia do Agile.